quarta-feira, junho 20, 2007

me in a cage, with a bottle of rage.

raiva, assim como o sofrimento, é meramente opcional. te odeio por 5 segundos, e não te amo mais. por 5 segundos. as coisas tem que ser livres e descompromissadas, nada dentro de um cercado pode crescer, nada pré estipulado pode alcançar plenitude. não gosto de planejar, e ainda assim, levo rasteira do pouco que chego a presumir da vida. sinto saudade do tempo em que eu vivia assim, sem saber, sem estar, hoje tudo é tão real que até o vento dói, e a lua não tem mais cor de mel. preciso de transtorno pra produzir, perdi minha paz e meu medo da morte.

'sou um gênio, uma glória nacional, não encham meu saco!'

Glauber Rocha

quinta-feira, junho 07, 2007

fragmento de sete faces

"(...)
eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque

deixam a gente comovido como o diabo."

sábado, junho 02, 2007

maybe not

... !

i think i'll love you today
i guess that's what you get
and i don't know where we are all going to
life don't get stranger than this
but it is what it is
and i don't know where we are all going to

sábado, maio 26, 2007

acid house

A pior viagem do resto da minha vida, é assim que me sinto, todos os barulhos são ensurdecedores e não há ninguém NINGUÉM a quem possa recorrer. Meu coração dói, assim como meu pulmão e minhas veias, sinto sangue gelado pelas minhas veias, tive sonhos em tons de vinho e até agora não sei se foi verdade. Estou com medo, admito minha condição e não, não sou capaz, at all, pra nunca mais. Sou um lixo dentro da vasilha, ou aquele vômito na privada. As cores, todas as cores pulsam, como se tivessem vida, engraçado, eu sempre quis ver isso, mas não dessa forma, não desse jeito. Tão só. Não! Nem você nem ninguém vai aparecer aqui, faz muito frio e eu não sei o que penso, se penso. E não há nada, nem esse quarto, nem essa tela, nem essa vida. Preciso de alguém que me acorde agora, e não há. Tenho medo de dormir pra sempre.

quinta-feira, maio 24, 2007

freelove

acredito que arte só pode fluir diante de um transtorno, tem que incomodar. chego a um ponto: quando as árvores ficam azuis e o pensamento não segue a linha da tragédia clássica aristotélica, não há criação. it's time for me to move ahead.

"Hey girl

You've got to take this moment

Then let it slip away

Let go of complicated feelings

Then there's no price to pay"


segunda-feira, maio 21, 2007

daysleeper

constatação: vida on a plain é finita, uma hora a roda gira e você se dá conta que, além do inferno estar nos outros, a imersão nesse inferno não está dentro de um leque de escolhas. já estive aqui antes, as coisas mudaram um pouco de lugar, ah, eu mudei um pouco de lugar também. o quadro que pintei tem nome, sobrenome, medo, desejo e é muito abstrato. me sinto num liquidificador, onde trituraram minhas certezas, minha alma, minha vontade de paz, olho pra trás e me vejo sem querer entrar, mas é tarde demais, tenho medo de escoar pelo ralo mais uma vez. teatro de arena, cíclico como as estações do ano, prefiro o inverno.

quinta-feira, maio 10, 2007

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
e nada mais

quarta-feira, maio 02, 2007

a última noite

arrumou-se daquela vez como se fosse a última, beijou sua mãe como se fosse lógico, desceu as escadas como se não houvesse amanhã, algo dizia que seria a última vez que os via, pensou em tudo que fez, e, em grande parte, no que não teve tempo de executar. não teve medo do que poderia vir, estava consciente, tudo tem começo, meio e fim. o gosto das coisas modificou e a visão estava meticulosamente espetacular. seria a última noite, a última festa, o último momento entre amigos. curtiu até amanhecer, carregando a certeza que dali não passaria. se a vida não era colorida em sua plenitude, queria conseguir enxergar as nuances daquela noite, de cada poste, de cada pessoa, cores exatas de cada momento. o manto do dia foi estendido, estava em casa, por alguma razão estranha o contrato fora alterado, ainda havia muito pra ver (viver). deitou em sua cama como se fosse a única, dormiu na contramão atrapalhando o sábado. relato da noite em que a morte decidiu não aparecer, mesmo com aviso prévio.

segunda-feira, abril 23, 2007

o dia

não quero falar de mim, então não me diga de você, nem de ninguém. não querer saber, dentro do contexto da não-vontade potência, é estar satisfeita com a minha escolha, dentro do quadro que me foi permitido morar. se já não vejo graça é porque o cotidiano fez desbotar o que já não havia muita cor, guardo algumas imagens na memória, e elas rodam como num filme - são um filme-, nem sempre happy, e ainda sem end.
o dia em que vi a terra azul.

me veio um trecho de uma música na cabeça: "no dia em que fui mais feliz, eu vi um avião, se espelhar no seu olhar, até sumir". em tese, faz todo sentido, a paz que eu procuro está na reconstrução da calma, a minha.
do dia em que fui mais feliz.

quarta-feira, abril 11, 2007

joão e maria

...Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

terça-feira, abril 10, 2007

assim é





one of my top 105569874. oh gosh, how i hate any kind of top fuckin' lists. God only knows! happy violentines day.

quarta-feira, março 28, 2007

multicolorido, cérebro

o que é um conto, se não disser o que conto? ato consome o fato, que se atrapalha nas idéias e corre despudoradamente atrás de simetria. equilíbrio da beleza em sua plenitude, nostalgia utópica. do lado de cá, alice continua no seu país às mil maravilhas, talvez um pouco desbotadas, mas ainda assim, positivas. não quero lhe falar, mas só em pensar em não dizer já é querer, e querer é algo tão abrangente que acabo me trancando na última gaveta da vontade. engoli o arco-íris e não digeri o pote de ouro, tenho uma íris, em forma de arco, cor de ouro em pote.


segunda-feira, março 19, 2007

100sacional.

estou com angústia, não é de hoje, e já tinha comentado isso. num acesso de esquizofrenia eu vi você do meu lado, rindo do absurdo que se transformou minha vida, e do pouquíssimo que eu faço para mudá-la. você ria tão escandalosamente que eu não enxergava mais nem quem estava comigo, se é que tinha alguém em algum lugar que não fosse na minha própria cabeça. a culpa não é de brasília, não é do outro, esta guerra é minha, contra minha vida solidamente medíocre, que só ME diz respeito, e não permito ataques externos. Aponta pra fé e rema. e se já não sinto os teus sinais, deve ser da vida acostumar.

quarta-feira, março 07, 2007

um sopro de vida

Não quero me aprofundar. Pois vou voltar à tona e respirar pela boca. Olhar para cima, de dentro para fora, e encontrar-me outra vez. Não escrevo o que quero, escrevo o que sou agora. E cada palavra é uma idéia e talvez o que não sei dizer é mais importante do que eu digo. Não entendo, mas entender é sempre tão limitado. Sinto que sou muito mais completo quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doido. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo. Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata. Se tudo existe é porque sou. Pois não me preocupo mais em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

greatest feeling.

15:15. Acabei de ouvir um ‘até já’, do rapaz dos correios, engraçado que parei pra pensar no que significa esta sentença, quando nem eu mesma sei se estarei aqui até as 18:00, quiçá um outro dia. E assim venho vivendo, numa seqüência de ‘nunca se sabe’, como se me despedisse todos os dias, tendo que me desculpar por algo que não fiz e dizendo que amo loucamente com medo de não haver uma outra oportunidade. Não gosto de deixar as coisas mal explicadas, não gosto de meio termo, não gosto de quase ignorância. Não gosto de pensar que não me empenhei em algo, que não cheguei nem perto da perfeição, que minha estadia aqui foi em tom pastel. Mas isso é só o que eu penso, no sentido mais introspectivo da palavra. Por tudo que sou, ou que fui, ainda que não tenha me orgulhado, ainda assim, agradeço, a tudo que passou por mim, e a tudo que fez ou faz questão de permanecer ao meu lado. Sei que estou sendo nefasta, mas é que de repente me bateu um medo da morte.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

choices

o inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. existem duas maneiras de não sofrer. a primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. a segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.

ítalo calvino.

domingo, fevereiro 04, 2007

circus tricks

o que está acontecendo? preciso ir embora, preciso arrumar minhas coisas e ir embora, de preferência pra um lugar onde possa recomeçar tudo com todos, onde o novo imperará maravilhosamente bem e até a alvorada será inesquecível.
tire-me daqui, apelo pra mim mesma, como faço quando falo de uma flavia em terceira pessoa. nem todo amor do mundo seria capaz de mudar-me, aliás, não sei pra que serviria o maior amor do mundo.
saiam todos e me deixem só, naquele grande sossego de mim mesma, não existe alguém pra me libertar, não suponho nada, não guardo nem levo, não faço questão. questão de esperar um dia após o outro como se o tempo fosse pleno responsável pela mudança do todo, quando nós - human beings - não somos tão flexíveis assim, e condecorados com uma crueldade inevitavelmente assustadora.
apago a luz e transcendo daqui, como se não houvesse nada além, nada além de meus três companheiros: alterego, superego e id. ainda assim, não está bom.

terça-feira, janeiro 30, 2007

lisboa à noite

Eu fumo, tu fumas, nós fumamos - juntos. Ele arruma o cabelo. Ela chega atrasada. O outro ainda dorme. Ela pinta as unhas de vermelho, enquanto ouve o jornal. Ele lê pablo neruda. Ele também pinta as unhas. Ela condena o inferno. Ele joga futebol. Os vizinhos reclamam do barulho. Ela odeia o silêncio. Ele adora luta livre. Ela não sabe cozinhar, mas também adora luta livre. Ela adora montanhas. Ele não vive sem mar. Ele ouve musica clássica. Ela insiste em thom yorke. Ela é jornalista. Ele odeia a mídia em si. Ela gosta de filme de arte. Ele gosta de todos os filmes, mas não tem tempo de ver nenhum. Ela vive o ócio. Ele não o suporta. Eles brigam. Os outros ouvem. Alguns bebem. Outros ainda dormem.


segunda-feira, janeiro 29, 2007

romantic lessons (parte 1)

Às vezes ele vem, com aquele ar peculiar que não poderia auferir a ninguém, ninguém mais. Queria que ficasse, mas quem ousaria dizê-lo? Isso não acontece, apesar de tudo na vida ser da forma mais inesperada possível.
Alguém chega aqui no alto da minha montanha, desta vez localizada no primeiro andar, como se fosse fácil, como se não precisasse se apresentar antes, como se todas as coisas fossem meramente dispensáveis. Acabo gostando, porque foge do meu controle e, dentro do meu país, nada tem esse aspecto.
Só você, só você, só você.
Assim pálido, assim cálido, assim distante, bem assim, daquele jeito que destesto, e, mesmo assim, quero tanto. assim é.