quarta-feira, agosto 23, 2006

“...Todas as noites eu o chamo: não ele, o outro, aquele que me amava. E me pergunto se não preferiria que estivesse morto. Eu me dizia: a morte é o único mal irreparável. Se ele me deixasse, eu sararia. A morte era horrível por ser possível, a ruptura suportável porque não a imaginara. Mas de fato, eu me digo, se ele estivesse morto, eu saberia ao menos que perdi e quem eu sou. Não sei mais nada. Minha vida, atrás de mim, está toda destruída, como nesses terremotos em que a terra se devora a si própria: ela se esboroa, às nossas custas, à medida em que fugimos. Não há mais retorno. A casa desapareceu, e a vila e o vale todo. Mesmo que você sobreviva, nada mais resta, nem mesmo o lugar que ocupou sobre a terra.”


(A mulher desiludida)


>> é sempre bom ressaltar a linha tênue que dicerne a vida da morte, se formos analisar, a ambição e o materialismo retratam um espírito não evoluído, preso a um corpo em busca da imortalidade. nada levaremos daqui. nem as lembranças. e tudo começará outra vez.

2 comentários:

Clara disse...

Lerei. E se algo me acontecer, voltarei junto com Simone pra puxar teu pé.

(L)

Mobbe disse...

Todo mundo se encaixa nesse texto... pelo menos em algum momento dele. Gostei.

Beixxx