sábado, dezembro 30, 2006

e se

e se o mundo fosse um teatro ao ar livre,
reservar-me-ia o direito de ser um adorno,
talvez uma árvore,
ou talvez uma das nuvens que vestem o céu,
mas nunca uma estrela,
dionisíaca, jamais apolínea,
música, o abstrato da alma,
o yang do tudo, a solitude do nada,
um amor desenhado nas paredes de uma casa em ruínas,
não-amor,
e se o mundo coubesse num quadro exposto ao ar livre,
e se eu coubesse no mundo,
e se o quadro mudasse,
e se o mundo existisse.


>>a respeito do episódio de hoje:
não haverá paz enquanto tiver quem aplauda a guerra.
gandhi dizia que a lei de talião só deixaria o mundo cego e sem dentes, acho que só eu ouvi. aqui se faz, nem sempre se paga.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

.

não, não vou pedir para que fique mais um pouco, nem hoje, nem nunca. ache ruim, se assim for mais conveniente, se assim o preferir. não reservo-lhe o direito de reclamação, não mais, ja(mais). poderia ceder e fingir de forma plástica, porém, não seria eu. não ser você é bem pior quando se tem de arcar com as conseqüencias de um fake proposital, cujo mérito não tem dono, nem brilho. faço um trato com você, amigo destino - entregue ao -, nem eu lhe peço nada, nem você me aborrece. fique, se assim o quiser, se assim seu coração pedir, livre de qualquer razão, qualquer proposta ou plano, nada disso existe. chegue, sente - coma umas torradas -, permaneça - para o café -, talvez porque eu também queira - fumar mais um cigarro -, mas principalmente, porque você quer - trocar doces palavras -, e será sempre muito bem vindo. a propósito, já presenciou alvorada mais bela? como diria einstein, é tão perfeito que não pode ser aleatório. nada é, amigo gênio. nada é.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

existe uma cidade...

Existe uma cidade chamada saudade, onírica, obviamente. Caracterizada por ser negligenciada a todo custo pela população, é uma cidade monocromática, com ares retrô e algumas rosas vermelhas. Uma cidade que vive do passado – passado este que prefere não ser lembrado.

Pessoas andam nas ruas opacas, se falam com alguma cordialidade, mas sempre mantendo uma distância, como se tudo pudesse remeter à um pensamento escondido na última gaveta da memória. Guardam tudo a 7 chaves, se guardam a 7 chaves, questionam demais e agem de menos, não há reciclagem. A vida torna-se então uma pilha de entulho segmentado.
Fotos cortadas e trancadas em baús de antiquário, lacradas com cadeado, dono de uma chave enferrujada. Seres agem como se pudessem controlar o passado, abstraindo o presente e inviabilizando o futuro. Como se existisse algum culpado pela escolha de uma bifurcação, quando há na melhor das hipóteses, um cúmplice.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

just feeling like

smile fades in the summer

que toda loucura seja perdoada


Ela era calma, aparentava uma certa estabilidade emocional.

Procurou um analista porque não se sentia confortável com seus pensamentos, tal qual em vida de marionetes – ou cria cuervos –, sentou-se no divã e começou a despedaçar a vida, não só a dela – não só a ela –, como a dos outros – os outros –, abrindo cada pensamento que estava embrulhado pra presente no cantinho mais escondido do cérebro, como se aquilo fosse preciso para deixar de ser quem era.

Enigmática e trêmula, ela só sabia dizer que não se conformava, não se conformava e que não estava pronta quando aceitou e assinou um contrato. Sentia-se violentada pela vida, pelos atos, pelo alheio, por tudo aquilo que almejava deter o mínimo de controle e no entanto, não podia. Nem devia.

Passou horas falando, palavras confusas, oriundas de um pensamento igualmente desordenado – um labirinto de idéias que jamais tiveram uma fusão entre si. Cativante, ela sorria e chorava ao mesmo tempo, balbuciando injúrias num tom tão doce que mais parecia uma declaração de amor.

De repente a sala azul virou um jardim, o divã se transformou num banco de madeira – daqueles feitos com toras de árvores –, e o analista não estava mais lá. Como assim, ele não estava mais lá? E a sala? E os móveis? Inseriu-se no âmago do próprio ser e a única resposta que conseguiu encontrar foi que ele jamais existira, assim como a sala azul e o divã, assim como tudo e todos. Quando ela mesma, jamais estivera em lugar algum.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

um brinde, o nosso astro merece!

Dia psicodélico, a vista falha e dá aquela sensação de pisca-pisca de natal, bem elegante. As mãos tremem sem parar, quase parkingson. Efeito da cafe-ÍNA, principalmente pra quem não é habituado. E eu sou habituada ao quê mesmo? Ah tá, all cool, lembrei. Beth gibbons tem um papel fundamental neste momento, que é o de me fazer acreditar que a vida pode ser uma merda séria, com direito a melancolia e oito horas de trabalho – bem cativante. Vou já mudar pra royksopp e seu ‘what else is there’, pergunta que eu me faço no ócio criativo de todo dia. Alguém sentiu o clima de festa no ar? Eu não só senti, como celebro toda noite. Cheers!

it's the funny time of year

segunda-feira, dezembro 11, 2006

em flashs

Estado de dormência quase letal, é incrível como a cena está fragmentada, cada dia lembro de uma coisa diferente. Era muita informação, tudo que eu queria acontecendo ao mesmo tempo, mal ou muito me engano, mas estava muito feliz. Dadaísta como um quadro de Duchamp. Eu gosto, gosto e não falo, ou será que falo? Tenho meios que me possibilitem isso agora. Acho que estou em vanilla sky – o quadro, não o filme. Um vai e vem seqüencial e NÃO linear. Eterna expectativa de estagnação. Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão, o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração.


you know what they say about romance. it's a word.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

as várias vidas de beatriz

beatriz é uma garota difícil,
beatriz saiu de casa aos dezessete,
beatriz é lasciva,
beatriz é desbocada,
beatriz se apaixona toda noite,
beatriz bebe champagne durante o dia,
beatriz não liga se está feia ou bonita, aliás, não liga pra nada,
beatriz não segue moda, ela desfaz sua moda,
beatriz é dona de um espírito livre,
beatriz tranca a flavia no quarto e sai noite afora, procurando diversão,
beatriz bate na cara da flavia em público,
beatriz é o yang da flavia, e no íntimo, sabe disso,
só que não faz questão nenhuma de reconhecer.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

...e vamos falar do signo

Nunca me liguei muito nesse negócio de signos e comportamentos pertinentes a eles, mas hoje – culparei o ócio, obviamente – caí na tentação de catar algo que me faça acreditar que sou assim por alguma força que vai muito além de mim, e das mediocridades que me construíram até então.
Vamos lá, resumo do signo mais chato do zodíaco. Não sou hipocondríaca como a maioria, tenho mania de organização – podia botar tudo em caixas e caixas dentro de caixas etiquetadas e separadas por cor e tamanho, ainda assim acharia extremamente funcional –, faço pouco caso das coisas, como se tudo fosse banal e só o que eu falo/sinto fosse importante, não me envolvo – há aqui um paradoxo entre querer e se permitir –, sistemática, maníaca por limpeza – tanto minha como dos outros, cidades, casas, objetos... –, analiso tudo, critico, pelo menos não dou valor à perfeição – sei que ela não só não existe, como é abominável –, como os demais colegas que dividem o ‘prazer’ de possuir o mesmo signo.
Sou chata beirando o insuportável, mas a gente só enxerga o óbvio quando esbarra num semelhante, e é como se levasse uma tapa na cara. Cadê as palavras? Cadê a funcionalidade? Cadê a ordem? Nada disso é relevante quando se está competindo de igual pra igual, estaca zero e vamos trabalhar porque não é fácil não, ah mas não é mesmo.

- Garçom, dose dupla de paciência, por favor.
- ah, e não pare de servir. Obrigada.

terça-feira, dezembro 05, 2006

do quarto andar no quarto

Aqui, do alto da montanha do 4º andar, onde a lua cabe em minha mão, assim como os carros e as pessoas, pensamentos randômicos invadem, e eu peço, humildemente, para que fiquem. Regras regras regras, elas atrapalham tanto quanto minha mania de deixar tudo em poder do acaso. Mania: palavra estranha que define um ato compulsório, ou uma série de. A minha é com números, em especial 3, 5, 14 e 17 – please, don’t ask me ask me ask me.
Amor líquido, com toda a etimologia da palavra. Pegue mas não tenha, tenha mas não se apegue, se apegue mas não cobre, cobre e tudo desintegrará, ou se desintegrará justamente pela ausência de imposições. E não pára por aí, no pacote ainda vem incluso o cupom que permite a troca do produto, é muito simples, se der defeito ou se não estiver de acordo com suas exigências, faça o escambo. Assim rápido, assim fácil, assim frívolo.
E ainda vem um alegre cantando “...é impossível ser feliz sozinho”. É ou não é ou não é ou não é? É.

...and then she kissed me and i felt like a hit.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

lilac

Nuvem de algodão flutuando num céu de ametista, assim sólido, assim lúdico. Pessoas coloridas de acordo com a índole, lembro que eu era lilás, tal qual o céu que insistia em admirar - brilhante, plácido. Não vi miséria nem sujeira, e tudo era assustadoramente organizado. Os carros não possuíam rodas e nada fazia barulho, paz. Tudo estava interligado, uma coisa na outra, o outro no outro, aquilo no tudo, simbiose. Era tudo, era lindo, e as pessoas pareciam assustadoramente felizes dentro daquela pedra-cidade ou cidade de pedra, absolutamente onírica, demasiadamente inumana.

quinta-feira, novembro 30, 2006

atentado

Atentado à vida, ao pudor, ao bom Senso, à minha inteligência. Cercada de atentados por todos os lados, sem nenhuma ventilação, estou sufocada. Um amor que é só meu, e é só dele que ando fazendo questão, talvez seja por mim, mas talvez seja pelo que não consigo imaginar e traduzir, ou talvez nem seja – porque eu realmente acredito que estou por aqui de passagem, minha realidade é a outra de lá. Atentado à minha paciência, se existisse uma receita para reavê-la, faria. Closer – perto demais. E o que eu posso fazer é cantar pra saudade, com seu vestido vermelho, porque afinal, o espetáculo não pode parar.

quarta-feira, novembro 29, 2006

em teoria

O que será que me dá quando eu sei que não pensa em mim? Pensa em tudo, tudo que não deveria pensar, menos em mim. Eu não entendo, como estará agora? Mais bonito? Mais magro? A mesma coisa, aposto. Nem chato, nem legal. Se tem uma coisa que eu aprendi é que as pessoas fingem que mudam, pra impressionar por um curto espaço de tempo – que na verdade, é o único que muda. E eu reflito bem isso, ou não reflito nada. Possuo o ‘dom’ de ler pessoas óbvias, o que não é lá muito excitante. Queria ser lida também, bem simples, mas a mediocridade me deprime, tanto quanto o sol, a felicidade e a perfeição. Segundo alguém – que não me conhece –, eu só falo o óbvio, e ainda assim, existem pessoas que não são capazes de entender. Silêncio.


em teoria

terça-feira, novembro 28, 2006

a aposta (episódio 1)

Era fim de tarde em cassano magnago, eles gostavam de conversar nesse horário, davam uma pausa nas brigas e parecia que finalmente conseguiam se entender.

2: tem crostata de fragole, vamos comer?
1: não tem.
2: tem sim, eu vi quando a nonna chegou do mercado.
1: em 20 anos eu nunca a vi comprando crostata de fragole.
2: mas comprou desta vez, quer apostar?
1: quero! (com aquele ar petulante que só ele possuía, irritante)
2: aposto cinqüenta mil liras.
1: feito.

Dirigiram-se ao armário e lá estava, a crostada de fragole, saborosa como sempre, porém vermelha (dovrebbe essere gialla, invece). E quando a nonna fora questionada pela troca repentina do quitute, coisa que não acontecera em vinte anos, respondeu sem titubear:

- comprei porque tinha acabado a de albicoca, simples. Se não quiser, não coma.

... na hora de apostar ele só tinha esquecido de um detalhe – pequeno, porém útil –, é que naquela época, ela jamais apostaria para perder.

crostata alla fragole

sexta-feira, novembro 24, 2006

lá é bem aqui

Se é factível a máxima de que casa nova é vida nova, então estou em fase de transição. Cada lugar, uma lembrança, as paredes parecem filmes que passam ininterruptamente só pra me lembrar que não vale a pena fazer planos.
Um dia eu bati tudo no liquidificador e deu certo, hoje não mais, desaprendi, acho que também falta-me a prática de outrora e uma pitada de paciência também, estou envelhecendo. Aqui dentro está que nem a lush, quando você se acostuma com um produto ele sai da prateleira porque não há mais matéria prima.
Minha estadia ali foi marcada por relacionamentos longos e unilaterais, que eu equiparo ao uso incessante de ópio, o costume é o que mata, e acabamos morrendo em todas as poucas tentativas de existência. Nascer para (re)nascer, dando continuidade à esse ciclo vicioso de monta e desmonta.
Que venham as novas memórias, melhores ou piores, não importa, mas inéditas – afinal, todos têm que se desapegar um pouco, curtir a sua fatia da festa, sem maiores complicações, pelo menos até o dia de esbarrarmos na morte. Just let go.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Ando por aí procurando pessoas, observando o modo como elas andam, como mexem no cabelo, como se portam diante de outros seres – suas farsas, seus temores. É difícil sair a esmo em busca do inimaginável, mas eu gosto, aprecio o nada, o vazio, a falta de expectativa que culmina numa esperança extremamente voraz – que acaba me consumindo por inteiro. O tudo é o nada em que está inserido, assim como a ausência de cores, que tem em seu ápice, uma outra cor. Como não acredito no acaso, logo me acharão perdida na casualidade proposital desta cidade provinciana em que me encontro – matéria presente ocupando lugar no espaço, espírito ausente. Assim é.

springsfield is here

quarta-feira, novembro 22, 2006

for sale

I was wondering...
Quantos-em-um somos ao longo de nossas vidas, somos o que fizeram de nós, um reflexo da sociedade e seus declínios mentais absolutamente medíocres. Sinto como se houvesse um supermercado de pessoas e personalidades, onde é possível comprar a que melhor se adequar ao momento – como eu quero que os outros me vejam agora. E nesse vai-e-vem de pessoas, momentos, personalidades, as essências se misturam, viram uma coisa amorfa. Já não sabemos mais quem somos, à que viemos e muito menos pra onde vamos. O momento define a pessoa do dia, aquilo que quero que saibam, tal qual numa película – onde o mesmo artista interpreta vários papéis, como se pudesse viver todas as vidas ao mesmo tempo.
Não queria isso pra mim, mas quando tento enxergar, percebo que já estou inserida nesse contexto, refletindo tudo que já passou por mim - como um vértice -, fruto de uma irrealidade consentida.
E, parafraseando arbitrariamente cecília meirelles, indago: em qual espelho ficou perdida a minha face?

segunda-feira, novembro 20, 2006

liquid

muita coisa, muita coisa junta e isso só pode dar em nada. e é o que geralmente acontece, um fim de semana após o outro, um dia após o outro, um ano após o outro, o outro após o outro. não há escapatória, é isso aqui e ponto. vida líquida, com tudo que a palavra tem direito. usar pessoas é válido? e ser usado faz parte da liquidez? faz, tudo faz parte e estamos todos lá, disponíveis e invariavelmente vulneráveis, mas há tantas máscaras nisso como na pluralidade de uma metrópole. as cidades e os mortos, os mortos viventes que esbarramos por aí, apáticos, com aquele tenebroso ar blasé que eu também possuo, cheios de histórias velhas pra contar - de um mundo meticulosamente inventado -, eu inventei o meu e excluí os estranhos, os meus estranhos, sem nenhuma chispa de arrependimento. já que é líquido mesmo, que deixe fluir.

quinta-feira, novembro 16, 2006

tom the model

"(...)

So do what you're gotta do

And don't misunderstand me


You know you don't ever have to worry 'bout me


I'd do it again


(...)"

terça-feira, novembro 14, 2006

“Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.

- mas qual e a pedra que sustenta a ponte? – pergunta Kublai Khan.

- a ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra – responde Marco -, mas pela curva do arco que estas formam.

Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:

- por que falar das pedras? Só o arco me interessa.

Polo responde:

- sem pedras o arco não existe.”


>> esse livro é tão bom que chego a duvidar se existe mesmo. mas o que é que existe afinal? ah tá... imaginei alguém dizendo tudo, e me peguei gargalhando freneticamente em tom de escárnio.

domingo, novembro 12, 2006

"(...) em raissa, cidade triste, também corre um fio invisível que, por um instante, liga um ser vivo ao outro e se desfaz, depois volta a se estender entre pontos em movimento desenhando rapidamente novas figuras de modo que a cada segundo a cidade infeliz contém uma cidade feliz que nem mesmo sabe que existe."

sexta-feira, novembro 10, 2006

fake plastic blindness

há o que não entendo agora, há o que jamais entenderei, mesmo quando tudo parece muito claro e ventilado. nada nunca é tão simples como a visão e meras palavras fazem-me querer acreditar. é como se fosse um grande jogo de ilusões e que vença o melhor mágico, eu não entendo isso muito bem... mas sei que é assim que funciona. hoje eu não estou aqui, mas também não estou lá, e pra ser bem sincera, não sei se queria me encontrar não. não hoje, talvez nem amanhã ou depois. estou no meio, mas do quê? sabe-se lá, isso não é importante. paro e penso, it's all over my head, our heads. e divirtam-se com seus truques, afinal, eles não durarão pra sempre.

pure illusion

terça-feira, novembro 07, 2006

sr. coelho, estou atrasado!

andei pensando em você, e se é bem verdade, queria que estivesse pensando em mim também. porque não? pode mentir, eu saberei mas não irei me opor. quero que diga exatamente o que eu almejo ouvir, algo que vá além dessa incerteza infinita. advirto que ando me apaixonando por estranhos, faço planos de 5 segundos que se desintegram com a mesma velocidade que eu respiro. sei enganar também, e talvez não haja estranhos - quando poderia haver somente nós -, faço longas cartas pra ninguém - escritos pálidos de uma paixão sem nexo. se fosse uma pessoa de esperar, esperaria por você, mas a incerteza me corrói, e pra variar, eu gosto. regularei os ponteiros do relógio de acordo com seu tempo, apresse-se, tudo se transformou numa viagem insólita na qual você seria bem vindo.

sábado, novembro 04, 2006

infinito particular

viagem em meio ao vazio do meu espaço, como uma instrospecção forçada ao pânico do insustentável.
do que outrora fora não sobrou nenhum alicerce, até a memória da construção se esvaiu sem deixar rastro. na verdade nada disso importa, não sairei ilesa, mesmo que não mergulhe até onde inexistir matéria. e mesmo que houvesse algo além disso, não me causaria êxtase em colorir os desenhos feitos à lápis. deixo tudo monocromático, sem grandes surpresas, ou surpreendo-me justamente pelo fato do monocromático poder ter mais graciosidade do que a mais perfeita combinação de cores. viagem ao mundo insólito da previsibilidade. apressar-me-ei, pois não há nada à esperar, quando na verdade, já me encontro imersa nesse plasma viscoso, que me consome até a alma. e eu gosto.

sexta-feira, novembro 03, 2006

amar, por florbela spanca

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente..
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

terça-feira, outubro 31, 2006

dos três mal amados palavras de joaquim

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço
O amor comeu meus cartões de visita, o amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome
O amor comeu minhas roupas, meus lenços e minhas camisas,
O amor comeu metros e metros de gravatas
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos
O amor comeu minha paz e minha guerra, meu dia e minha noite, meu inverno e meu verão
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

segunda-feira, outubro 30, 2006

song to say goodbye


neste fim de semana constatei que dinheiro não vem com certificado de classe, nem educação. é o tipo da coisa que ou se tem, ou não, independe de valore$. e eu, que não espero nada de ninguém, acabei sendo surpreendida... sempre pra pior, sempre. atos que consomem idéias, que consomem romances, que consomem empatias e viram um pesadelo. ato falho é subestimar a atitude de outrem, até quando se pode ir mais fundo no inimaginável? francamente, nem eu nos meus piores dias, nem eu no mais absoluto recalque, nem eu quase viva ou quase morta. presumo que as cores eram falsas e as palavras cantarolavam uma música longínqua, mas de perto as notas não faziam o menor sentido, perdiam-se no vazio do espaço. rest in peace, mon cher.

1: cherie, cheguei!
2: que bom, estou indo, cuide-se.
1: não entendi...
2: simples, eu não acredito mais em você.


sábado, outubro 28, 2006

"Quando a gente pensa que já viu demais, o diabo vem e diz: há mais."

ahfalei.com.br, mesmo!

sexta-feira, outubro 27, 2006

HAPPY BIRTHDAY, SOULMATE!!!

E a pauta de hoje é toda voltada para uma pessoa em especial, meu yang semelhante, que tive o prazer de começar conhecer há exatos 8 anos numa festa com gente que eu jamais vira antes, onde a ausência de intimidade me levou a presenteá-la com o eric.
Clara, é inútil dizer o quanto lhe admiro, por tudo que você é, por tudo que me ensinou – ou pelo que aprendemos –, e por tudo e ainda está por vir. Faço de você parte integrante da minha vida, tornando-a nossa. Mesmo longe você está sempre comigo, num gesto, numa frase, até mesmo numa simples cerveja no fim do dia. Happy hours com duas pessoas, cachaças na beira da praia em dia de semana, conversas sérias – ou nem tão sérias assim, porque afinal de contas, essa vida não pode ser encarada com seriedade perene, porque em seu egocentrismo exacerbado, ela não nos leva a sério.
Comparo nossas diferenças como a pluralidade sublime dos seres universo, nem tudo nos devidos lugares, mas sempre muito bela e perfeita na sua singularidade.
Isso tudo é pra dizer que eu te amo, hoje - sempre, e que estarei aqui mesmo que seja pra rirmos juntas numa tarde chata de domingo, ou numa manhã cinza de qualquer segunda feira. Peço para que não se afaste demais a ponto de não poder lhe ver, de alguma forma. Você é uma parte de mim que eu não sabia que existia e agora que sei, não quero abandonar de forma alguma. Acredito que além de uma amizade, o nosso caso é um encontro de almas. Um beijo do tamanho do universo, mi corazón.

quinta-feira, outubro 26, 2006

sound of silence

Ouço um grito lá longe, paro, desligo o som, procuro saber de onde vem. Não consigo discernir, estaria eu com labirintite? O som é agudo, certamente de alguma mulher, indago o que estaria a acontecer... penso em mil coisas, de repente o grito tem ares de desespero. Pode ser que ela tenha caído em si numa realidade medíocre absurdamente humana, mas também pode ser que esteja sendo violentada, já que o som vem da rua, não de alguma casa, vem bem do meio da rua, tenho certeza.
Odeio gritos, mesmo os mais sinceros, e não obstante, começo a odiar aquela mulher, sem ao menos ter dó pelo que ela poderia estar passando, vai ver é uma crise existencial e ela fez o que todos temos vontade, sair correndo pelas ruas, loucos, gritando toda nossa dor como se não existisse nada nem ninguém, principalmente quando o assunto é silenciá-la.
É madrugada, e os gritos ecoam ainda mais, não há tanto barulho de vida, aquela coisa chata do cotidiano, que faz-nos enxergar sem brilho e comer sem degustar. Enquanto isso ela grita, mas o que há com essa mulher?? Deixa eu parar até de pensar pra ver se identifico e assim, consigo ajudar ou dormir, acho que a falta de diretório está me angustiando...
silêncio total, até a respiração está superficial, nada pode atrapalhar afinal de contas. Os gritos se tornam mais e mais imersos em algo, soa familiar, reconheço o som mas não consigo identificar, espere... estão se tornando mais profundos e ensurdecedores, viriam eles de mim? Isso explicaria o fato de ninguém estar se manifestando, afinal, é madrugada...
- Os gritos são meus, céus, os gritos são meus!
Grito silenciosamente para que ninguém ouça, por tudo que eu sou, por tudo que diverge do que queria ser, por aquilo que digo e não entendem, pelo que sinto e que é só meu. Grito como uma forma de voltar a atenção para mim mesma, já que não espero que alguém pare para fazê-lo. Grito em silencio para não despertar ninguém, não há a quem possa clamar por ajuda, the lunatic is in my head.

quarta-feira, outubro 25, 2006

a eterna busca pelo insólito, querer e não poder - ou no meu caso, não saber. queria mesmo um par para dia de chuva, ou frio. seria mais confortável para ir ao cinema, jantares nada solenes ou ficar em casa mesmo. na ocasião da ausência, permitir-me-ei o direito de estar vendada, não quero e não faço questão de ver. ver o que mesmo? se nada é real e o irreal é num tom tão cítrico que dói os olhos. deixe-me cá, no grande sossego de mim mesma. poupe-me do aborrecimento, já que o tédio é inerente ao meu ser. mas que falta de ânimo, falta de sossego. pelo menos gosto de chuva, e nesses dias me apaixono perdidamente por estranhos, faço planos de 5 segundos e eles se desintegram com a mesma velocidade. precisava de um par, seria tudo muito mais fácil, talvez um par de meias fosse ideal. talvez. talvez eu voltasse a girar em simbiose com a terra na cadeia do tempo, num movimento articulado exemplar, que faria inveja a qualquer bailarina, aliás, uma coisa que eu nunca quis ser.

se fosse permitido escolher, degas optaria por ser uma bailarina.

segunda-feira, outubro 23, 2006

10:07

é um sentir que não se pode dizer,
o que dizer, afinal?
o que se sente não se diz
e o que se diz provavelmente não se sente
ou sente,
e diz.
eu digo saudade,
digo, de alguém,
digo, bem perto,
quando na verdade,
está longe.
não devia dizer, porque afinal,
no final,
não sei se sinto,
nada.
e se sinto,
não digo,
tudo.

sexta-feira, outubro 20, 2006

algo a dizer

mau humor matutino. cansaço de viver à espera do insólito envolta numa mediocridade avassaladora, que ultrapassa meu corpo e agride a alma, a única coisa que possuo, meu núcleo. incrível como isso me abala. é hediondo ter que assistir sentada por não possuir meios para mudar. e a porcaria do par, que outrora foi, decidiu não ser sem prévio aviso e foi-se para nunca mais voltar. parabéns, descanse em paz - paz que meu cérebro não permite ter, não consigo desconsiderar e deixo à mercê do tempo, que está de mal comigo e decidiu que o certo é me corroer aos poucos, como quem só tem um chocolate e quer deliciar-se ao máximo, enquanto possível. pra que almejo tanto essa certeza, estou imersa nessa barca em meio a um mar revolto e sem bússola. a tal certeza torna-se subjetiva, e eu insistindo no que não há. não há, como uma lavagem cerebral, repetirei como um mantra sempre que necessário. não estou em paz, e não consigo conceber que você esteja. alias, não estou aturando nem meu próprio pensamento hoje, podia ser menos randômico, menos veloz, estou beirando à loucura. talvez esteja no sangue, mas talvez esteja na alma. mas o que está? paro e penso e tento parar num pensamento e chego a conclusão que nada está, e tudo isso é criação minha, uma mente perversa que não sabe o que é lucidez, doeria demais, muito mais. cheguei a um ponto em que o pensamento não converge com o ato, ato pensado - convém dizer - rodo, rodo, rodo e só não paro no mesmo lugar porque a terra gira por mim. eu desdenho a terra assim como desdenho a vida, ainda mais quando ela decide me estapear.

quinta-feira, outubro 19, 2006

they got nothing to prove, me neither


2: Cadê você?

1: Tô aqui.

2: Por que não responde?

1: Respondi, oras.

2: Não, digo antes.

1: Por que você só chamou agora.

2: Meu deus, preciso chamar?

1: Ah não... denovo não...

2: Como assim, te irrito?

1: Às vezes sim, profundamente.

2: Então vá embora.

1: Não quero, estou bem aqui.

2: Mas eu não estou bem com você aqui.

1: Ai ai, quer uma cerveja?

2: Quero.

2: Mas hein, por que você não respondeu de imediato? Não sou importante?

1: Tava vendo umas coisas e realmente não ouvi.

2: Sou invisível e inaudível agora, perfeito.

1: Outra cerveja?

2: Por favor... aproveite e me empreste o isqueiro também.

1: Isso me diverte.

2: Isso o que?

1: Isso.

1: Como tudo parece menor quando estamos relaxados, entendo o porque de um bom banho retirar 85% do peso de um problema.

2: Problema, tá com problema e não conta porque acha q eu não seria capaz de ajudar?

1: Mais uma cerveja?

2: Ta, mas me diz! Não sou capaz?

1: Você é super capaz. Mas não achei necessário. Realmente.

2: Então está certo, vamos embora.

1: Vamos, mas antes deixe-me pronunciar...

2: Realmente não acho necessário.

1: Por favor...

2: Diga lá.

1: Qual caminho eu pego pra chegarmos mais rápido?

...

Rumo à casa, o silêncio. Sabe, às vezes é a melhor solução. Cigarros. Ela se sentia pormenorizada e ele não entendia o por quê. As pessoas na verdade nunca entendem o porque de nada, supõem errado e perdem coisas. Ou acham. Eles acharam nessa “perdição” toda um ao outro, não conseguiam enxergar-se pela metade, nem em outro formato. Ao chegar em casa se abraçaram mas não juraram amor eterno, estava perfeito assim. Amanheceu.

terça-feira, outubro 17, 2006

"... essa situação de ter sido abandonado à própria sorte, sem ter com quem contar quando necessário, quem nos console e nos dê a mão, é terrivel e assustadora, mas nunca se está mais só e abandonado do que quando se luta para ter certeza de que agora existe de fato alguém com quem se pode contar, amanhã e depois, para fazer tudo isso se - quando - a roda da fortuna começar a girar em outra direção."

(zygmunt bauman)

>> estou num momento tão introspectivo que não me permito nem criar para que os outros leiam. livros amados tornam-se refúgio nessa hora, ai transcrevo os fragmentos mais condizentes. o que desejo agora, paz ou saúde? continuidade.

sexta-feira, outubro 13, 2006

... parafraseando clarice lispector... outrora escrevi isso à alguém, mas nunca obtive resposta. chora cavaco, a vida nem sempre continua, mas não para nas entrelinhas. sobrevida. paradoxo. quando na verdade sou só um corpo ocioso esperando o nada chegar.

"às vezes sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa dos nossos sonhos e abraçá-la."

quarta-feira, outubro 11, 2006

“...Ele estava pouco ligando, e eu também, mas nenhum de nós ousaria dizê-lo. Em que pensaria ao certo, enquanto rodávamos sobre estradinhas cheirando à folhagem? No deserto de seu futuro? Eu não podia seguí-lo. Sentia-o solitário ao meu lado. E eu estava também."

(Simone de Beauvoir)

>> no final do livro tudo fica bem, até por ser um romance, até por ser um livro. e na vida real, como funciona? queria respostas para o que não é passível de solução.

segunda-feira, outubro 09, 2006

nowhere talking


1: você acredita em deus?
2: o que há, é um teste de paciência? cadê o holofote?
1: simples, diga sim ou não.
2: pra quê? pra justificar coisas colocando-nos como marionetes do destino, isentos de culpa?
1: puta que pariu...
2: quanta falta de classe e argumento, conversa de lugar nenhum.
2: por que você tá querendo saber, só porque acredita e quer um cúmplice para essa insensatez?
2: as coisas não são designadas por um simples sim ou não, palavras não são capazes de classificar tudo.
1: não é sandice.
2: é sim.
1: então tá, como queira, cansei de você.
2: já sabia. sabia até que este diálogo era pra chegarmos nesse ponto.
1: você enlouqueceu.
2: sim, desde o dia em que eu não escolhi me apaixonar por você.
1: houve esse dia?
2: sempre.
1: por que nunca me disse?
2: pelo mesmo motivo que não discuto sobre a existência ou não de um além-ser.

- silêncio-

Visivelmente alterada, ela levanta do sofá, apaga a luminária e segue em direção à cozinha para preparar ao menos o chá que lhe dará boa noite; enquanto isso ele foi pra varanda fumar um cigarro, acompanhado pelo bernardo, o gato dela - isso era muito claro, era dela, o gato. não queria dizer, mas além de questionar a existência de deus, ele gostava do misto quente que só ela sabia fazer. findou o cigarro e foi direto pro quarto, tirou os chinelos, deitou na cama e questionou o amor, acabou por encontrá-lo ali, bem ao seu lado, meticulosamente coberto. sentiu-se feliz, pelo menos até a próxima discussão. adormeceu.

sexta-feira, outubro 06, 2006


refazendo meu castelo - que era falso, por sinal - varrendo ventos e pensamentos, me perdendo, redecorando, reorganizando. porque no final das contas, a vida é isso mesmo, uma sucessão de monta e desmonta. linear e randômica. felicidade e tragédia. consciência da realidade. desta ou daquela? não importa. inconsciência. passos friamente arquitetados com ares de casualidade. consigo enxergar meu núcleo, aquilo que me restou de tantas faces induzidas. sou eu, afinal. só eu. o centro do meu mundo bem livre. respirar ou não respirar só pra sentir que não detenho o controle de tudo. nem de mim. nem de ninguém. dou valor à pequenas coisas, talvez sem importância. liberdade dos sentidos. isso tudo pode até ser uma viagem, mas é particular. só convém entender se estiver predisposto a participar. eu diria que tudo agora tem cheiro de canela, mas esse é só um lado das coisas. e é só o começo.

quinta-feira, outubro 05, 2006

CBO - classificação brasileira de ocupações

5198::profissionais do sexo

competências pessoais:
1. demonstrar capacidade de persuasão
2. demonstrar capacidade de expressão gestual
3. demonstrar capacidade de realizar fantasias eróticas
4. agir com honestidade
5. demonstrar paciência
6. planejar o futuro
7. prestar solidariedade aos companheiros
8. ouvir atentamente (saber ouvir)
9. demonstrar capacidade lúdica
10. respeitar o silêncio do cliente
11. demonstrar capacidade de comunicação em lingua estrangeira
12. demonstrar ética profissional
13. manter sigilo profissional
14. respeitar o código de não cortejar companheiros de colegas de trabalho
15. proporcionar prazer
16. cuidar da higiene pessoal
17. conquistar o cliente
18. demonstrar sensualidade

mas o que é isso, minha gente?!!!! parece paródia, mas foi extraído do sitio do ministério do trabalho. (espasmos de riso, neste momento). pra frente brasil.

have a nice day.

quarta-feira, outubro 04, 2006

o andarilho, por f. nietzsche

Quem alcançou em alguma medida a liberdade da razão, não pode se sentir mais que um andarilho sobre a terra – e não um viajante que se dirige a uma meta final: pois esta não existe. Mas ele observará e terá olhos abertos para tudo quanto realmente sucede no mundo; por isso não pode atrelar o coração com muita firmeza a nada em particular; nele deve existir algo de errante, que tenha alegria na mudança e na passagem. Sem dúvida esse homem conhecerá noites ruins, em que estará cansado e encontrará fechado o portão da cidade que lhe deveria oferecer repouso; além disso, talvez o deserto, como no Oriente, chegue até o portão, animais de rapina uivem ao longe e também perto, um vento forte se levante, bandidos lhe roubem os animais de carga. Sentirá então cair a noite terrível, como um segundo deserto sobre o deserto, e o seu coração se cansará de andar. Quando surgir então para ele o sol matinal, ardente como uma divindade da ira, quando para ele se abrir a cidade, verá talvez, nos rostos que nela vivem, ainda mais deserto, sujeira, ilusão, insegurança do que no outro lado do portão – e o dia será quase pior do que a noite. Isso bem pode acontecer ao andarilho; mas depois virão, como recompensa, as venturosas manhãs de outras paragens e outros dias, quando já no alvorecer verá, na neblina dos montes, os bandos de musas passarem dançando ao seu lado, quando mais tarde, no equilíbrio de sua alma matutina, em quieto passeio entre as árvores, das copas e das folhagens lhe cairão somente coisas boas e claras, presentes daqueles espíritos livres que estão em casa na montanha, na floresta, na solidão, e que, como ele, em sua maneira ora feliz ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos mistérios da alvorada, eles ponderam como é possível que o dia, entre o décimo e o décimo segundo toque do sino, tenha um semblante assim puro, assim tão luminoso, tão sereno-transfigurado: - eles buscam a filosofia da manhã.

terça-feira, outubro 03, 2006

the killer in me is the killer in you, my love.

segunda-feira, outubro 02, 2006

que descolorirá...

Estaca zero. Retroceder para evoluir. Nada é senão aquilo que outrora fora. Nunca haveria de ser, estava fadado ao insucesso. Simplesmente não se vê tanta graça naquilo em que não há um certo apreço. Facilmente reposta, talvez por alguma coisa menos valorosa, porém mais recompensadora. Não importa, nada importa. Sempre existe o aprendizado, as memórias. Dentro da ostra agora, com muito limão, joga-se um pouco de sal e tudo se torna passível de digestão, ao menos. E eu sei que haverá outras ocasiões, mas quais? Tanto faz. O que não foi, não é. A lanterna está em meu poder agora, já sei acender quando me for conveniente. A floresta não é a mesma, porque eu não sou a mesma. Não iria suportar. A linha se segmenta mais uma vez – simples, abstrata, impiedosa –, é irônico, mas continua a seguir e não admite o paralelismo. Acendi a lanterna agora, vejo a luz que eu criei e com ela me permito traçar os novos caminhos, mais tortuosos talvez, porém novos. Tudo vai além do que posso enxergar, e é difícil ser feliz. Mas eu suponho o céu.

sábado, setembro 30, 2006

dança da imaginação, cores vibrantes, vertentes luminosas. o pensamento não pára, uma coisa liga à outra e não saio do lugar, mas ao mesmo tempo não estou no mesmo ponto de antes. time to change the subject.


sexta-feira, setembro 29, 2006

Quem somos e onde estamos? Simples, não somos e NÃO estamos. Talvez nunca estivemos. Juntos. Nada faz muito sentido, não há no que não existe. Perdeu-se. Se perde o que nunca teve? Porque haveria de ser diferente... sem planos envolve-se, sem planos casa-se, sem planos vive-se. Intensamente. Estagnação é o fim da linha, aquela que adormece os sentidos, torna-nos insensíveis e meramente racionais, humanos. Adeus subjetivismo. Cadê as cores e as poesias? O fato de não esperar nada é esperar tudo ao mesmo tempo, palavras fazem o contexto perder o sentido, porque nada pode ser tão linear, exato. Talvez consiga explicar, mas de uma forma que só eu iria entender. Viver de começos. Sempre tão cheios de energia. Não há esperança proveniente do que se conhece de cor. Não há surpresas no óbvio, o fato de não fazer questão incomoda. Está tudo muito certo. Jogo agora tudo no liquidificador e pronto, misturado. Quem sou eu, quem é você, não se sabe, somos nada, só que agora produto da mesma matéria. Prontos para escoar pelo ralo.

quinta-feira, setembro 28, 2006

náusea

penso: o que seria de mim sem a enxaqueca, as náuseas e as freqüentes dores de estômago? talvez uma paródia do que eu chamo de fake plastic happiness. tenho um desejo quase lascivo de conhecer pedro juan, o gutierrez. ainda bem que é só desejo e não tem pretensão de se realizar. ou é, da forma que tem que ser, com tudo que tem direito, ou não é. caso contrário, remete-se a uma ironia estéril do que poderia ser, nada. ironia - palavra de ordem para o contexto ao qual me refiro. não é. e a pergunta que não quer calar, não meu caro, vai além do jornalismo ser uma profissão ou ocupação... por que, cargas d'agua, todo HQ erótico-grotesco tem que ter um ser lambendo o olho de outro - quando não o arranca pra posteriormente lamber - e de onde tiraram que isso causa um prazer inenarrável? por quê? por quêêêêêê? e nem vem com esse subsídio safado de que o nome já diz a que veio. comigo o batuque é outro.

quarta-feira, setembro 27, 2006

à flor da pele

amanhece. uma paixão louca e repentina me assola. quero tudo. estou em paz, tenho quase o que sempre procuro. misto de amor e luxúria não cabível em palavras. piegas. saudade boa e que me extrai um sorriso do rosto. um dia diferente. sei o porquê. sonho em perder essas amarras morais e libertar-me para fazer o que quiser neste momento, hoje. o dia inteiro não bastaria. não cansaria. prazer pelas coisas mais simples e óbvias, uma imensidão nada etérea que toma conta de mim. de súbito. não há um motivo principal, só sei que desta vez não pretendo ser o cenário. estou romântica, e não é que me agrada? presumo que meu humor é inversamente proporcional ao inferno tropical. hoje faz frio. posso dizer que estou feliz -estado de espírito mutante, indefinido -, que só o inexplicável pode me proporcionar. bons fluidos poderiam passar por osmose. assim é.

dolls - amores extremos.

terça-feira, setembro 26, 2006

mania de querer achar essência em tudo, porque não se pode simplesmente ser anucleado? nem tudo tem que ser acompanhado pela razão, já que não há iguais e sim semelhantes. parar de ver lógica onde nem sempre existe. não existe. mas o que existe? você? eu? ninguem. assim é. viver um sonho pensando que é real, dando todos os passos errados possíveis, quando na verdade era real e foi encarado como um sonho. devaneio. linearidade de um pensamento hermético. eu entendo. mas o que há para entender afinal? eu entendi o lance da maçã na boca, como um porco na mesa. fetiche é uma coisa tão estranha né? li outro dia um quadrinho pornô-grotesco japonês, tem gente que gosta, eu gosto. de ler, que fique bem claro. pensar naquilo é oriundo de qual tipo de mente? porque? ahhhhhhhh. nada faz sentido aos olhos de quem não discerne as nuances. cadê o senhor coelho que não volta com as horas? começo a me achar. mas cadê a princesa e as cartas dançantes? escondam-se. acenderam a luz. ou somos nós que a acendemos quando o retorno à realidade é iminente? sempre acontece quando nos habituamos com o sonho e por pior que seja, ainda conseguimos gostar dele. assim falou chihiro. e eu acredito nela. não preciso fazer-me entender. coerência não vem fazendo parte da busca pela essência. apago a luz.

segunda-feira, setembro 25, 2006

cold cold water


>>os dias frios - nublados e chuvosos - são os meus preferidos, com sabor de torta de chocolate, suspiro e leite condensado. deixo transparecer minha sensibilidade, às vezes. como qualquer ser que respira e ama. vontade de estar no common ground, agora. consigo sentir o cheiro do chá de maçã, acompanhado daquela sensação de estar dentro de uma árvore, o local exalava um romantismo inexplicável, fiz meu último jantar lá, antes de ir pra nunca mais voltar.

if you got dreams in your heart
why don't you share them with me?
and if dreams don't come true
i'll make sure that you're nightmares
are through

if you got pain in your heart
why don't you share it with me?
and we'll just wait and see
if it's happened what it used to be

and lay it down slow
lay it down free
lay it down easy
but lay it on me

if you've got love in your heart
why don't you keep it with mine?
i can't promise a miracle
but i'll always be trying

(lay it down slow)

sexta-feira, setembro 22, 2006

a estação

imagine assim: alguns, ilustrados como uma estação ferroviária, onde os trens são o tempo, e as pessoas, são as pessoas, aquelas tantas que passam pela gente todos os dias.
algumas passam pela estação diariamente, e criam uma espécie de vínculo afetivo só porque faz parte de um cotidiano, não existe brilho nessa relação porque o tempo desbota os prazeres do que já não é novidade. outras estão sempre correndo, apressadas para não perder o trem - que não espera-, nem o rumo, não levam, nem deixam nada na estação - que se torna transparente-, é só um ponto, nada mais. outras freqüentam a estação por um tempo pré-estipulado, observam, confessam que até ficariam ali, cujo brilho ainda é intenso, mas não, estão só de passagem - carregam consigo a lembraça da estação e seu esplendor (ainda que imaginário), sempre deixam algum vínculo, com um pretexto insconsciente de um dia retornar àquele cenário, que nunca seria igual. e a estação, afinal? apesar de ser a mesma, e de todos os dias parecerem infinitos segmentos, um difere do outro (assim falou heráclito), ao fim, abstrai o vazio que é nunca chegar nem partir, só estar. ponto de transição. talvez saiba que essa seja sua função, e pode até ser que no fundo busque isso mesmo, não foi construída para ser o sujeito, sempre a ilustração de algumas histórias. assim foi. amanheceu. quantas pessoas passarão, quantas farão diferença e quantos trens partirão até o pôr do sol?



quinta-feira, setembro 21, 2006

marketing pessoal

porque nem tudo na vida é lamúria, não é isso, dona beatriz? a frase faz alusão para quem souber do que se trata. haha.


fighting against me

...e mais um fato soma-se ao meu conceito de incapacidade, digo isso no sentido pessoal mesmo. um misto de monotonia misturado à curiosidade - prefiro morrer ciente do que existir na ignorância -, me levou a procurar mais vídeos de animais criados em larga escala para servir-me como alimento (?). não estou surpresa, somente desapontada, comigo mesma, por ser paradoxal em relação ao que eu penso e a forma que ajo. não fui capaz de não compactuar, sucumbi, sensação de fracasso iminente. sinto-me culpada por me emocionar ou me preocupar mais com os animais e seus direitos, do que com os direitos humanos. o que não significa a negligência total e absoluta ao fato. razão há, acredito na maldade como faculdade inerente so ser humano, que a realiza através do intelecto !* ponto crucial *! saber e ter consciência de si mesmo, enquanto ser. já os alvos passíveis da minha preocupação são tidos como irracionais - mesmo que em incontáveis episódios tenham demonstrado mais coerência do que muitos pensantes por ai afora. me rasga a alma saber que seres são criados como objeto, morrendo de forma atroz e sem saber o porquê de estarem ali, não podem pensar, mas tem o direito de sentir? o que fizeram pra merecer? o que fizemos para termos o "privilégio" de tolher vidas sem o menor respeito, para fins subjetivos? a evolução do ato chegará na antropofagia?
não sei explicar, talvez nem possa, não há perdão, fui incapaz de me controlar, os meios não facilitaram, mas os atenuantes não me eximem da culpa. sou um ser cuja carne é fraca, e não me orgulho disso.

PEA- animais para consumo

quarta-feira, setembro 20, 2006

passos cálidos


Ela estava perdida, imersa em uma floresta escura, sem saber qual direção seguir, pois olhando ao redor, todos os caminhos eram igualmente confusos. Chamava por ele, como se o grito erradicasse todo o medo que sentia ao encontrar-se ali, sozinha, sem rumo, e sem idéias. Ele não ia aparecer – e ela sabia –, nem ao menos sabia onde se encontrava, talvez não fizesse questão, ou ainda não achasse que nada incomum estaria acontecendo. Chorava, porque o choro é companheiro do desespero, mas sabia que chorando não se acha saídas, e a situação exigia uma. De repente até clamou para que um milagre acontecesse, colocou à prova a existência de um além-ser. Nada. Tudo no mesmo lugar. Acostumou-se então com a floresta, que tomou ares tão familiares quanto sua casa – uma que outrora teve. Desacreditou na benevolência, e na ausência de máscaras. Tudo pegava fogo, e o mais engraçado – se é que pode denominar assim – é que era fruto de suas lágrimas incandescentes. Culpada, agora. Brasas ao redor por um ato falho. Não soube se encontrar. Talvez não se importasse. Achava que não suportaria a realidade fora da floresta, sem controle, entregue às agruras, sem pormenores. E neste momento, depois de tudo, do medo, da angústia, da sensação de vazio, da falta de perspectivas, ele apareceu. Por um minuto a floresta desapareceu e virou um lindo jardim, claro e organizado. Esperou tudo, queria tudo. A vida encheu-se de luz e alegria. Por um minuto. Pois sabia que na realidade – aquela que arrasa ilusões – ele só podia dar-lhe uma lanterna. E a floresta continuaria a mesma.

terça-feira, setembro 19, 2006

giramundo

quantas vezes ultilizamos palavras infinitas, do tipo, nunca, sempre, odeio, amo. engraçado isso, esquecemos da temporalidade, a linha que é ora segmentada, ora fragmentada. subjulgamos o destino, dando vasão à toda irracionalidade inerente do ser humano. enganar-se é também parte de um aprendizado, erros dão tons cítricos à vida, assim penso. logo existo? ou logo insisto?
uma coisa que considero importante é reconhecer os passos falsos, retroceder - não involuir - tentar refazer ações e falas, em prol de um entendimento pacifico. hoje percebi isso, o tempo é indelével -fato-, mas algumas pessoas, por mais que as circunstâncias mudem, por mais que os sentimentos passem dos ponteiros do relógio e acabem dando um nó parando o mecanismo, por tudo o mais, alguns ainda mantem a essência, certifico-me de que não há tempo perdido, existem pessoas perdidas. encontrar-se é díficil. reencontrar-se é indescritível, ainda que em um contexto completamente antagônico. no final, os que compreenderam e os que não, unem-se e aplaudem, quase sempre de pé, porque afinal de contas, tudo é um espetáculo, com toques de realidade, mas sempre muito articulado.

segunda-feira, setembro 18, 2006

spotless mind

a mente é mesmo um labirinto indefinível, e "eternal sunshine" retrata exatamente isso, que exporadicamente gostaríamos de poder ser senhores e donos da nossa própria história, indo e vindo como nos fosse mais conveniente.
-Querer esquecer ou esquecer só por não ter coragem de conviver com a lembrança?
não é preciso dizer que, em ambos os casos torna-se impossível esquivar da realidade, se lembramos, é porque de fato foi importante, e se queremos esquecer, é porque de fato, incomoda. não suportar uma realidade é usual e paralelamente inquietante. querer esquecer é algo que não depende de nós, simplesmente acontece, como tudo. bem linear e cíclico. a vida é segmentada e gira em torno de memórias, agradáveis ou nem tanto. o grande lance é aprender a conviver com a nostalgia de um momento não esquecido, já que somos impassíveis de uma atitude deletéria. não se pode apagar algo que esta arraigado em todos os ligamentos cerebrais, digo cerebrais como um além-algo, que não abarca exatamente o órgão em sua condição física. e mesmo que isso fosse possível, algum dia, creio que não funcionaria, posto que não se esquece um conjunto de fatos que de uma certa forma, montou um contexto singular, não se desconstrói alguém, não se apaga uma história com um simples pulsar de teclas, não seria simples assim, nem justo. nossos passos somos nós quem traçamos, a cada dia, dando o tom que nos soar melhor, apagar seria negliegenciar possíveis erros, ou não nos permitir recordá-los, e tudo o mais que faz parte de um eterno aprendizado, que mantém o eterno brilho, proveniente de uma mente com lembranças.


sexta-feira, setembro 15, 2006

ontem comecei a assistir Nascidos em Bordéis, é um filme denso, e em meio a um diálogo de um garotinho que no máximo teria 10 anos, dizendo que, para alegrá-lo, a mãe sempre dizia que ele iria estudar em londres, e ele - nao qualidade de criança, mas não de ignorante perante à realidade - replicou às câmeras "mal temos dinheiro pra viver, quanto mais para estudar". e nesse momento eu ouvi gente rindo na sala. RINDO. dantesco isso, tenho vergonha, vergonha de um povo (porque aquela sala é somente o reflexo daqui de fora) que se acostumou a ver a desgraça alheia- acostumou porque é um fato distante, ou meramente ficcional, da realidade vivida. logo eu, que sou contra planos e realmente não os considero como parte crucial na minha vida, logo eu, chego a cogitar a hipótese de que está tudo predestinado - calculado nos mínimos detalhes por um além-ser-, desde o fatídico dia do nascimento, e que não há nada a ser feito, tudo foi previamente aceito e assinado, e as divergências grotescas estão lá também, escritas em letras pequenas, no rodapé do contrato.

"...whatever makes you happy, whatever you want... you're so... i wish i was... she's running out the door, she run run run..." (devidamente alterado)

>> vídeo do lodger (que eu particularmente admiro), talvez condiga com o que vi. com o que não deveria, mas de fato é. maktoob.

quinta-feira, setembro 14, 2006

o padedê hoje é em marte, vistam seus trajes mais exóticos, preparem-se para contemplação do insólito, no final o saldo será positivo. vamos, apressem-se, atrasos não serão tolerados. liguem pros pares no caminho. ou no caminho mesmo, descubram que as amarras são meramente subjetivas. ticket de ida e pra quem não gostar tem aquele empurrãozinho amigo propiciando a inécia providencial em meio ao buraco negro. convite em primeirissima mão, a fonte é fidedigna, e atende pela alcunha de binky, se o humor permitir. falando em humor... disponibilizo um viodeozinho e, arriscando um palpite, digo que é uma das poucas coisas que me fazem gargalhar sem a menor classe. enjoy it.

quarta-feira, setembro 13, 2006

big big bang shot shot

Às vezes sinto tanta saudade, saudade de um tempo que não vivi, que talvez nem exista, saudade de seres inventados, saudade de cheiros que eu nunca senti e lugares que nunca estive. Sinto como se realmente não fosse daqui. Ou que não pertencesse a esse lugar, a essa mesquinharia do cotidiano, a falta de polidez humana e poesia que abarca essa viagem à margem da terra. Poder não existir, não se entregar, não sentir falta. Me distancio porque não me sinto à vontade, como se fosse uma eterna visita, prestes a ir-se. A intimidade é corrosiva, e quando não nos resta mais nada, vem a solidão, como um golpe arbitrariamente rasteiro, arrebatador. Golpe final. Não sou capaz de descrever a alegria que não vivo, como se não fosse merecedora, talvez não seja, são outras leis que regem o fadado e temido destino, outros valores não tão metafísicos. Não posso contar com um ser abstrato. Loucura segmentada para passos artificialmente calculados. Não posso dizer, não iria entender. Não posso dizer, porque também não sou passível de explicação. Só sei que vida é saudade, e saudade é algo que eu carrego como fantasia distante, que com o tempo – senhor e dono de tudo – está fadada a desaparecer. Quer me seguir ainda que sem planos? Faremos nossa história a cada dia, reinventaremos as memórias, falta muito, nem alicerce temos. Vamos, segure minha mão, já conheço o caminho, tem algumas armadilhas, não sucumba. Pode desistir se quiser, não cairei, seguirei só, se assim o destino escolher, com aquela caixinha de sentimentos ora guardada, ora acessível, que eu tanto estimo e que mesmo sem saber, encontra-se em seu poder, enquanto durar, ou até descolorir.

terça-feira, setembro 12, 2006

romance à on the road



once upon a time in usa...


me lembro de já tê-los conhecido juntos, de fato nunca deve ter havido um passado que os separasse, eram utopicamente yin e yang – coisa que até então, eu admirava -, ela estava em vias de sair de casa e ele, bem ele... ele já estava na rua havia um tempo... acostumou-se com aquele ambiente e a tratava – ela, a rua -, como se de fato sua casa fosse, tamanha a familiaridade. Tinham um “quê” de Dolls, o filme, mas não pensavam na mendicância como forma de sobrevivência. Ela não tinha problemas em dizer que seria stripper em alguma boate de estrada sem glamour – caso precisasse-, e assim resolveria momentaneamente a questão financeira, estava decidida. Ele nunca se opôs a nada, sentia como se ele a tivesse num patamar sobrehumano, mesmo sendo de um vazio dantesco, ou um universo à parte, o qual não me cabia compreender. Era tudo tão simples e sincero, que até eu – desprovida de sentimentos e sensações tidas como clichês – entrei nessa viagem, não de fato, mas cheguei a divagar várias vezes... dois amantes, numa viagem lúdica ao redor dos eua, sem metas, na bagagem somente esperança e amor. E estariam completos. Talvez fossem, nunca saberei dizer, pois impressões são falhas, de repente até eram perfeitos, ao seu modo anacrônico e empírico. Carregavam o estigma de que a vida é só essa e dela não sairemos vivos. Ao mesmo tempo que é muito poético, torna-se trágico. Com conseqüências. Perdemos o contato quando voltei pra casa. Lembro que exalavam uma atmosfera mágica juntos, posso afirmar com um tom de certeza mais incisivo.

De certo não leram on the road, não eram muito de leituras, se bem me recordo. Pois deviam, ao meu ver, todos sabemos que esse tipo de romance é tão fulgás quanto uma viagem de férias, uma viagem que pode até durar alguns anos, mas há aquela certeza inerente de que uma hora, devemos retornar à um posto fixo, que eu intitulo de casa – mas não precisa ser tão cartesiano quanto a etimologia da palavra, enfim...

Presumo que tenham esquecido, ou pretendido não lembrar que, no final todas aquelas cores descolorem, juntamente com o amor eterno e a esperança incansável. Carpe diem é grandioso, mas em teoria. Precisamos de alicerces, todos. Ou corremos o risco de terminarmos como jack, o kerouac, escrevendo histórias cheias de emoção e rebeldia - de um momento em que a sanidade era tida como frívola e que sentir-se livre era condição de existência-, talvez como escape para um fim de vida que ele, como todo o resto, não havia previsto.

segunda-feira, setembro 11, 2006

dor de estômago que me persegue, há dias, semanas, anos. gastrite nervosa, neurótica, congênita. não sei se dói porque de fato dói, ou se dói porque outras coisas machucam junto. a liberade dada sufoca, clausura também. me teletransporto para um lugar onde não haja sentimentos, sensações, algo etéreo e inóspito. paz. nem que seja por um instante, jogar-me ao vento sem importar qual direção seguir... por um instante. caminho. chego. saio. círculo vicioso da vida. aquela tal, que eu questiono todo dia. atitudes. reações. círculo vicioso social. li sobre hipocrisia e suas vertentes, com direito a início no teatro grego e tudo mais, sabia? o nome foi atribuído às máscaras que os artistas usavam para atuar, pressuponho que esqueceram de tirá-las até hoje. lembrou-me veneza, talvez pela questão da máscara, talvez pela algazarra com aquele odor pútrido, talvez pela hipocrisia latente... digo então, que não há nada a ser lembrado. dor oriunda do ócio. círculo vicioso de seres negligentes.

quarta-feira, setembro 06, 2006

vanilla sky

sob o céu de monet,
assistia ao filme ontem, não é o melhor filme que eu já vi, mas incomoda, incomoda a fusão do onírico com a realidade, nunca se sabe em qual se está imerso. aqui ou lá? ou em nenhum lugar?
um amor maior do mundo, um sentimento que promove a teoria do caos interno. sempre ele. sempre caos. nem sempre interno.
não consigo ser crédula de que esta realidade é a verdadeira, no fundo todos somos bem livres, tal qual em sonho. o que dificulta a atuação é que ser livre torna-se deveras trabalhoso, abarca todas as coisas com as quais talvez lúcido, não se possa lidar. opta-se por não ser real, então. e a essência está perdida. a inocência também. e a beleza da vida, o prazer de um pôr-so-sol, ou um simples cantar dos pássaros numa manhã nublada, perdeu o sentido e procede a simples existência, em prol da sublime. onde foi parar? eu vislumbro que estão todas num perto, que nem com lupa deixa de ser distante, há sempre um interlúdio no ar, sabe-se o teórico, o núcleo falta. e as entrelinhas estão todas guardadas lá, com aquela chave de ouro que só se encontra atrás do arco-íris, mais especificamente, sob o céu de monet.


vanilla sky

terça-feira, setembro 05, 2006

os tons do motel

motel, aquele lugar que todo mundo sabe à que vai, previamente programado, incluindo timeset e tudo mais... o grande lance é fazer daquele roteiro um episódio incomum, depois de tudo, obviamente. não sei se alguém já teve a criatividade de prestar atenção nos sons oriundos dos quartos adjacentes, algumas vezes não tão adjacentes assim... minha nossa... o povo dessa cidade é espantoso, e olhe que não sou conservadora de direita. incrível como os seres "fake plastic normals" se soltam naquela hora tida como crítica, se libertam, perdem a noção do contexto e acabam virando uma paródia para os possíveis ouvintes. e a coisa é tão louca que vai de latidos à gemidos imitando uma sirene (aquela, da ambulância), passando por tapas tão fortes que eu sinceramente pensei, pronto, essa passou pro padedê de lá, não resta dúvida. é uma diversão que pago pra ter, e na qualidade de minimalista que sou, digo com certeza que, neste caso - assim como em tantos outros-, menos é mais. e mais, isso é somente uma das provas de que não se conhece ninguém na íntegra, digo de cátedra mesmo, por ser uma observadora nata, e isso, caros colegas, é um raro prazer.

tantra é hype.

segunda-feira, setembro 04, 2006

“...Uma porta fechada, qualquer coisa me espreita, atrás. Ela não se abrirá se eu não me mexer. Não mexer. Jamais. Parar o tempo e a vida. Mas eu sei que mexerei. A porta se abrirá lentamente e eu verei o que tem detrás. É o futuro. A porta do futuro vai se abrir. Lentamente. Implacavelmente. Estou no limiar. Só existe esta porta e o que espreita atrás dela. Tenho medo. E não posso chamar ninguém por socorro.
Tenho medo.”

(simone de beauvoir)

sábado, setembro 02, 2006

... e a vida segue, somos estranhos colidindo no mesmo contexto. indago, mas não anseio por nenhuma posição. é mais simples ser assim, não esperar nada. mas isso não invalida o fato de me decepcionar de quando em vez. eu não fui convidada. será que valeria a pena me enervar? realmente não sei. nada paga um aborrecimento.



l'ultimo bacio - porque quem ri por último, ri melhor.

sexta-feira, setembro 01, 2006


8:30 da manhã, o dia está só começando, escaldante. um inferno tropical. repleto de animais tropicais.

uma singela opinião sobre o trato que deviam ter os assassinos cruéis na nossa sociedade. matou por motivo torpe+de forma cruel+sem chance de defesa= morte. nada de ficar sustentando esses tipos na cadeia, deviam ser fuzilados em rede nacional, de preferência no horário "nobre", que é pra dar aquele "plus" de sensacionalismo à mídia, que tanto o preza. aconteceria mais meia dúzia de vezes, e depois cessaria. e é tudo muito simples, todos, até os menos providos de sentimento vulgo humano, tem medo da morte, principalmente quando ela passa a ser conseqüência do próprio ato. e pronto, manda essa tralha toda pro batuque de lá, porque aqui já tem estorvo em demasia.

minha nossa. hoje estou a tirania em pessoa. me assusto. não mais que 5 segundos.

quinta-feira, agosto 31, 2006


... nada mais dantesco do que a época das touradas na Espanha. Me lembra a política do pão e circo. Nada nem ninguém tem o poder de manipular ser algum em prol do seu bel-prazer, salvo sob o consentimento do ser lúcido em voga.

FATO: Ontem estava atravessando o semáforo na frente do pátio brasil, e tinha um cachorro de rua, ele era bege, muito magrinho, atordoado, se jogando por entre os carros, sem saber pra que lado fosse, olhei ao redor e era como se ele não estivesse ali, ninguém reparava em seu desespero. de súbito, me deu uma sensação de vazio, queria poder levá-lo comigo, tirá-lo daquela vida que ele não pediu pra ter, pensei nas humilhações que deve sofrer, e que deve apanhar de quando em vez. terá ele consciência de sua tão atroz existência? ajudei-o a atravessar a rua, mesmo estando atrasada, e mesmo não tendo prática nisso. episódios como esse me fazem refletir todos os dias, cada singular e insólito dia, que, ninguém está disposto a ajudar, a sensação que tenho é de que cada pessoa carrega um mini-mundo dentro de si, e gasta uma vida inteira só para satisfazê-lo, e que esse tempo ainda não é o bastante. tenho medo do futuro, tenho consciência de que tudo é cíclico, nada disso passará impunemente. tenho consciência e tenho medo.

quarta-feira, agosto 30, 2006

é festa!

na busca pela inspiração para um post mais denso, abro a página do jornal e vejo a seguinte manchete: MODA É SER FASHION ATÉ NA MORTE. (gargalho silenciosamente). Tomada por uma curiosidade animalesca e sensacionalista, fui ler a matéria. Móveis fúnebres assinados por grifes famosas, com cores da moda, alças retráteis, seda e frufrus à gosto do cliente. Móveis de casa que viram caixões - uma questão de precaução né? nunca se sabe quando a vontade de morrer bate à sua porta. Estejam preparados, maquiados, bem vestidos... e ainda nem falei a melhor parte! esses mimos possuem uma tela com um tipo de sensor que, a cada vez que alguém se aproxima, passa um vídeo do falecido nos tempos áureos. Não é DEMAIS? é demais mesmo, demais pro meu gosto - o mínimo de bom senso, por favor -, não obstante o fato de levarem a vida num eterno escárnio, querem transformar a morte numa grande celebração, com direito a plumas, paetês, orquestra, imagens e buffet. A morte passa de sujeito à predicado, não é mais o assunto inicial, mas o que importa? o velório foi chiquérrimo, todos com seus tailleurs chanel e smokings armani, dando os pêsames a quem mesmo? ah, é relevante, mas o caixão era o último grito na questão do design. Só esquecem que não importa quão cinematográfico tenha sido, pro padedê de lá, não se leva nada.



terça-feira, agosto 29, 2006

>> pink floyd é contemplação. é uma passagem só de ida para o universo onírico, sem limites de bagagem. é uma viagem lisérgica sem efeito colateral.
tem dias que a gente acorda e pensa: cara, eu não conheço nada, nem ninguém. a gente nunca sabe quem vai atender quando batemos do outro lado da porta, tanta coisa passa pela minha cabeça agora. não conheço nem que eu conheço, engraçado isso. suponho coisas dentro do meu próprio mundo, e não convido ninguém a entrar. veja só "não convido ninguém a entrar", sou distante, então. será que ninguém me conhece também? tenho atitudes previsíveis, aquelas que a sociedade impõe. deve ser isso. queria uma casa numa árvore. amigos no campo. conhecimento sobre o alheio. paz de espírito. não, não há coerência em minhas simplórias palavras. talvez não esteja neste planeta. ou talvez não esteja no script.

segunda-feira, agosto 28, 2006

uma questão social

>>Voltando ao não-sentimentalismo da vida real, vamos lá...

O cabaré começa na época do Brasil colônia, onde os portugueses tinham todas as mulheres e não registravam os filhos, gerando uma prole de ninguém, esses “ninguém” se uniram e viraram mercenários (povo brasileiro), entregando os negros ou índios que por ventura fugiam, e os devolviam por uma módica quantia em espécie... passa-se... e os negros são libertados gradativamente, começa com a intervenção da inglaterra, por sermos o ultimo país a manter escravos, tudo uma questão política, não seria sentimentalismo e sim economia envolvida.

Libertados, carregam aquele estigma pesado de um passado sofrido. Até hoje! Mais de 300 anos se passaram e eles carregam essa mágoa até hoje. Se assim fosse, os japoneses estariam até hoje chorando, sentados, nas ruínas de hiroshima e nagasaki. Mas eles não, carregam o ranço do ódio, se auto flagelam...

E com a questão das cotas nas universidades eles se vangloriam de terem tido um “espaço” num todo que é a sociedade. Mas veja bem, a cota devia ser uma questão social e não racial. Cota pra negros? Num país de mestiços, caboclos, mulatos? Segundo o IBGE, negros mesmo, temos 4% no Brasil, 53% são pardos, 43% são brancos. Veja, mais ou menos 19 milhões de brancos pobres, que não participam das cotas. A situação tende a se agravar quando o questionamento começar mais a miúde, porque um negro pobre tem direitos que os demais pobres não tem? dar-se-á uma segregação racial, oriunda de um problema SOCIAL. As cotas, segundo a minha percepção, deveriam ser para pessoas de baixa renda, que cursaram a vida inteira em colégios públicos, cujo ensino não se equipara ao do sigma e galois, por exemplo. Mas se atrelam mais com a questão da raça do que a situação em si. Olha pra frente povo, a involução está procedendo a evolução, só quem se preocupa somente com a melanina que ainda não percebeu.

sexta-feira, agosto 25, 2006

conto de um amor louco

E de repente você acha que sabe demais, já viu demais, no blazé que é a tolerância em forma de linha segmentada chamada vida. E surgem, pessoas surgem sem parar, poucas fazem diferença.

–Você trocaria sua vida inteira por uma noite?

O tempo passa, as memórias não, estão lá, sempre que algo as acessa, pode ser uma música, um cheiro, uma luz, qualquer coisa torna-se instrumento. Já o conheci sentindo saudade. “i’m road tripper. don’t make any plans, darling”. Eu fiz. Confesso que acreditei ser eterno, e é, de uma certa forma não tão cartesiana. A minha juventude durará em crônicas, contos, talvez até em poemas. Assim é o meu pra sempre, assim o farei. Uma vida solidamente medíocre, talvez sem nexo, mas com algumas histórias pra contar de um tempo em que tudo parecia possível. “you’re all i need, and i’m all you want”. Foi sincero, pensar assim dissipa qualquer chispa de arrependimento, mas arrependimento mesmo é não ter mais coragem para viver assim. Perder-se assim. Eu trocaria a eternidade por aquela noite, aquela que eu sei bem, naquele instante, com aquele olhar que só guardo na lembrança, mas ninguém nunca saberá qual.

... E a vida é como um espetáculo, ora se atua, ora se é espectador, mas quando a luz se apaga e as cortinas se fecham, todos aplaudem, atônitos, às vezes sem saber o que de fato foi, mas sempre entendendo o porque de estarem ali.

>> mais um ano cara, mais um ano. e tudo segue, assim, como se fosse predestinado, quando na verdade, é. wish you were here.





quinta-feira, agosto 24, 2006

>> eu ainda vou dar minha opinião sobre as cotas nas universidades, é uma coisa que está presa na minha garganta. segregação racial. história de colonização e mestiçagem de um povo que não abandona o passado para olhar o futuro.
quando essa fase passar, quando ele me amar, quando o frio voltar, quando a angústia acabar, quando o futuro chegar. até quando? além de um advérbio de tempo, é uma condicional, só posso me realizar quando... e lá vem toda uma lista de desejos, que me lembra "wishlist" do pearl jam, ou "wishing well" do morphine. o grande lance é não esperar nada que vá além do seu alcance, ou seja, além de você mesmo. o aqui é o agora, é isso que tenho, mãos à obra e esteja -porque felicidade é um estado de espírito, não uma condicional- feliz. com esse lifestyle, me orgulho de tanto em tanto, de ser eu mesma. sou o reflexo do que os outros me fizeram, talvez soe como paradoxo, mas com intervalos de vida. vida própria, aquela, que poucos reconhecem porque vivem demais o alheio, entram num mundo que não lhes pertence para tentar se achar, de alguma forma, nesse caos que é a busca pelo neutro, pela essência.
já é depois de amanhã... que coisa, e logo eu, que vivia de "quando". no final tudo é segmentado, tinha que ser assim para estar assim, assim é.

here we go. face it!

quarta-feira, agosto 23, 2006

“...Todas as noites eu o chamo: não ele, o outro, aquele que me amava. E me pergunto se não preferiria que estivesse morto. Eu me dizia: a morte é o único mal irreparável. Se ele me deixasse, eu sararia. A morte era horrível por ser possível, a ruptura suportável porque não a imaginara. Mas de fato, eu me digo, se ele estivesse morto, eu saberia ao menos que perdi e quem eu sou. Não sei mais nada. Minha vida, atrás de mim, está toda destruída, como nesses terremotos em que a terra se devora a si própria: ela se esboroa, às nossas custas, à medida em que fugimos. Não há mais retorno. A casa desapareceu, e a vila e o vale todo. Mesmo que você sobreviva, nada mais resta, nem mesmo o lugar que ocupou sobre a terra.”


(A mulher desiludida)


>> é sempre bom ressaltar a linha tênue que dicerne a vida da morte, se formos analisar, a ambição e o materialismo retratam um espírito não evoluído, preso a um corpo em busca da imortalidade. nada levaremos daqui. nem as lembranças. e tudo começará outra vez.

terça-feira, agosto 22, 2006

Sou conta best sellers, assumo. Ontem lia a paródia sensacionalista do cotidiano que alguns ousam intitular "jornal", e não, não é de se espantar que o top of the pop dos léxicos nas últimas 2 semanas é o "diário" de uma singela garota de programa que dormiu com 5 mil homens, em 5 anos. Veja a antagonia, namorar uma prostituta ninguém quer, mas ler sobre suas aventuras vira hobby nacional. Me preocupa, a mass media me preocupa, qual o futuro disso? não, não é privilégio do Brasil, há uns 3 anos uma garotinha italiana, se não me engano de 15 anos, escreveu "100 escovadas antes de ir pra cama" detalhando suas aventuras também, beirando o pornô-grotesco. A vida fácil é hype, dá fama, dinheiro e ainda deixa os menos providos de cérebro admirados com tamanha "coragem". Coragem? oras... coragem é acordar 3 horas da manhã, carregar uma sacola enorme cheia de quinquilharias por quilômetros e quilômetros até chegar à praia, para tentar vender à algum turista com um pingo de sensibilidade. Prostituição pode ser o que for, menos uma coisa para se aplaudir.
Minha apreensão é de caráter global, como diria platão, "a coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento". então, o que se faz com esse tipo de leitura? voyerismo frívolo sem aproveitamento de causa. Um dia pegarei as poucas coisas que me são peculiares, colocarei dentro de uma mochila e irei pra Vermont. Lá é o paraíso que me foi permitido escolher. E deixarei esse navio chamado cultura de massa afundar, mas não me levará não.

east orange-vermont

segunda-feira, agosto 21, 2006

segunda, é como se tudo retomasse seu lugar, inclusive a realidade, e a realidade de amizades perdidas também. sempre tenho em mente que amigos são como jóias - talvez tenham um valor até maior pra mim, já que não gosto de adornos desse tipo, mas o sentido é esse - gosto de deixá-los bem livres, aliás, deixo tudo muito livre, esperando a hora ou de irem embora, ou de voltarem pra mim. alguns nunca voltaram. estão livres. lembro-me de um diálogo do omar shariff que dizia que o amor que a gente sente - não importa qual -, é só nosso. e é exatamente isso que temos que valorizar, porque esse, ninguem leva embora consigo. coerência nas palavras há, mas palavras sempre fluem mais facilmente do que a realidade em si. acredito em companheirismo acima de tudo, eu sempre vou estar ao alcance para quando precisarem, sem isso o contexto toma forma de uma paródia esteril do que poderia ser, ou seja, nada. mas tudo isso é muito relativo. valores, mon cher, valores. tão diversificados como os seres do universo. falando em universo, acredito naquela teoria de que tudo surgiu de uma explosão e que somos todos poeira das estrelas, quase lúdico de tão poético. that's it.



sábado, agosto 19, 2006

>> sempre leio com um papel e caneta do lado, para transcrever trechos que eu acho interessantes, e com isso, guardar aquilo comigo, para guardar na mente.

"...é totalmente humano, então, ser um nostálgico, e a única solução é aprender a conviver com a saudade. talvez, para nossa sorte, a saudade possa transformar-se, de algo depressivo e triste, numa pequena chispa que nos dispare para o novo, para entregar-nos a outro amor, outra cidade, a outro tempo, que talvez seja melhor ou pior, não importa, mas que será diferente. e isso é o que todos procuramos todo dia. não desperdiçar em solidão a nossa vida, encontrar alguém, nos entregar um pouco, evitar a rotina, desfrutar da nossa fatia da festa."

(trilogia suja de havana)

sexta-feira, agosto 18, 2006


sexta, monocromática como todos os dias. estado de apatia elevado. incapacidade de definir direções. penso demais. é isso, penso demais. questiono demais. não sou simples, na verdade nem tento, as coisas não são assim, porque eu haveria de ser? detesto o cotidiano, não fui talhada para o usual. queria mesmo ser uma música, talvez sem letra. aquela música que poucos entendem, enigmática, aparentemente sem sentido, mas repleta de significados.