terça-feira, setembro 12, 2006

romance à on the road



once upon a time in usa...


me lembro de já tê-los conhecido juntos, de fato nunca deve ter havido um passado que os separasse, eram utopicamente yin e yang – coisa que até então, eu admirava -, ela estava em vias de sair de casa e ele, bem ele... ele já estava na rua havia um tempo... acostumou-se com aquele ambiente e a tratava – ela, a rua -, como se de fato sua casa fosse, tamanha a familiaridade. Tinham um “quê” de Dolls, o filme, mas não pensavam na mendicância como forma de sobrevivência. Ela não tinha problemas em dizer que seria stripper em alguma boate de estrada sem glamour – caso precisasse-, e assim resolveria momentaneamente a questão financeira, estava decidida. Ele nunca se opôs a nada, sentia como se ele a tivesse num patamar sobrehumano, mesmo sendo de um vazio dantesco, ou um universo à parte, o qual não me cabia compreender. Era tudo tão simples e sincero, que até eu – desprovida de sentimentos e sensações tidas como clichês – entrei nessa viagem, não de fato, mas cheguei a divagar várias vezes... dois amantes, numa viagem lúdica ao redor dos eua, sem metas, na bagagem somente esperança e amor. E estariam completos. Talvez fossem, nunca saberei dizer, pois impressões são falhas, de repente até eram perfeitos, ao seu modo anacrônico e empírico. Carregavam o estigma de que a vida é só essa e dela não sairemos vivos. Ao mesmo tempo que é muito poético, torna-se trágico. Com conseqüências. Perdemos o contato quando voltei pra casa. Lembro que exalavam uma atmosfera mágica juntos, posso afirmar com um tom de certeza mais incisivo.

De certo não leram on the road, não eram muito de leituras, se bem me recordo. Pois deviam, ao meu ver, todos sabemos que esse tipo de romance é tão fulgás quanto uma viagem de férias, uma viagem que pode até durar alguns anos, mas há aquela certeza inerente de que uma hora, devemos retornar à um posto fixo, que eu intitulo de casa – mas não precisa ser tão cartesiano quanto a etimologia da palavra, enfim...

Presumo que tenham esquecido, ou pretendido não lembrar que, no final todas aquelas cores descolorem, juntamente com o amor eterno e a esperança incansável. Carpe diem é grandioso, mas em teoria. Precisamos de alicerces, todos. Ou corremos o risco de terminarmos como jack, o kerouac, escrevendo histórias cheias de emoção e rebeldia - de um momento em que a sanidade era tida como frívola e que sentir-se livre era condição de existência-, talvez como escape para um fim de vida que ele, como todo o resto, não havia previsto.

2 comentários:

Clara disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Clara disse...

E eu peço mesmo pra que a verdade seja sumariamente deletada, vetada, escondida e ignorada. Obrigada.